A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan acendeu um alerta entre a população e gerou dúvidas sobre a vacinação realizada atualmente nos postos de saúde. No entanto, o Ministério da Saúde esclareceu que a medida não afeta a vacina aplicada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O imunizante utilizado na rede pública é a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda. Já a vacina suspensa é a desenvolvida pelo Instituto Butantan, que vinha sendo aplicada de forma restrita aos profissionais da atenção primária à saúde.
A Secretaria Municipal de Saúde e da Superintendência de Vigilância em Saúde de Caratinga emitiu nota esclarecendo que o município recebeu 444 doses do imunizante destinada à vacinação de profissionais de saúde que exercem suas atividades dentro das unidades de Atenção Primária à Saúde.
Deste total foram administradas 34 doses em profissionais que atuam no Departamento de Epidemiologia entre os dias 30/04 e 14/05 e nenhum destes apresentou sinais e sintomas relacionados a eventos supostamente atribuíveis à vacinação – ESAVI que necessitassem de notificação. O restante em estoque segue armazenado na Rede de Frio municipal aguardando novas orientações do Ministério da Saúde.
Ainda em nota, o município esclarece para a população que estas vacinas nunca foram disponibilizadas nas unidades de saúde, portanto, não há nenhuma possibilidade de qualquer cidadão ter recebido a referida vacina. As unidades de saúde do município tem em estoque a vacina contra a dengue (Qdenga) produzida pelo laboratório Takeda e destinada EXCLUSIVAMENTE para a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade conforme calendário vigente, com esquema de vacinação em 02 (duas) doses com intervalo de 3 meses entre elas.
A Secretaria Municipal de Saúde e da Superintendência de Vigilância em Saúde reforçam o convite a pais e responsáveis em manter a caderneta de vacinação das crianças e adolescentes em dia (sem nenhuma vacina atrasada) visto a importância que a vacinação tem no controle e erradicação de diversas doenças no nosso país.

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A partir desta segunda-feira (9), profissionais de saúde da atenção primária que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) começam a receber a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.
Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de dezembro, a Butantan-DV é o primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo. A vacina foi testada para ser aplicada em pessoas com idade de 12 a 59 anos.
Em cerimônia na capital paulista, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a imunização abrange todas as equipes multiprofissionais de unidades básicas de saúde, incluindo agentes comunitários, enfermeiros, médicos e demais profissionais cadastrados. Para imunizar os profissionais em todo o país, o ministério adquiriu, ao todo, 3,9 milhões de doses.
Vacina eficaz
A vacina utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, presente em outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo, como a vacina tríplice viral, a vacina contra a febre amarela, a vacina oral contra a poliomielite e algumas vacinas contra a gripe.
De acordo com a avaliação técnica da Anvisa, a Butantan-DV apresentou eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que, em 74% dos casos, a doença foi evitada por conta da vacina.
A dose também demonstrou 89% de proteção contra formas graves da doença e contra formas de dengue com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases.
Em janeiro, o Instituto Butantan publicou ainda uma pesquisa na revista científica The Lancet Regional Health – Americas que demonstrava que a vacina poderá ajudar a reduzir a carga viral ─ a quantidade de vírus ─ em pessoas infectadas pelo patógeno, o que previne o agravemento da doença.
Segundo a pesquisa, apesar de algumas pessoas terem sido infectadas após a vacinação, a carga viral nos vacinados foi consideravelmente menor do que em participantes não imunizados.
Isso, conforme avaliaram os pesquisadores, demonstrou a eficácia da vacina em induzir resposta imune e diminuir a replicação do vírus nas células.
*Agência Brasil
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